Filósofos

 
 

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Ética e moral
 

Socrates e Aristóteles.
Gostaria de obter informaçoes sob o que foi a ética, politica, para este dois filosofos.
Matias & Domingues - matiasdomingues@ig.com.br

Resposta:
Aristoteles escreve 3 livros sobre etica e politica:
Etica a Nicomaco (EN):
Grande Etica (magna moralia - MM)
Etica Eudemica (EE)
EN e escrito mais famoso e maduro, a autoria de Aristoteles vale como segura. Considerou-se por muito tempo MM e EE como sendo nao originais de Aristoteles.
Desde Jaeger (1923) acredita-se, no entanto, que EE e realmente de Aristoteles, mas de um periodo ainda muito imaturo.
Nestas obras Aristoteles trata de varios assuntos como: felicidade sob o aspecto da tensao entre a razao e o desejo, as virtudes eticas, o conceito de justica, amizade, fraquezas de espirito, destino, entre outros.
Na política, seu tema central e a chamada "polis", a "cidade-estado", base da sociedade grega. Trata-se de uma comunidade de casas-famílias (oikos), organizada numa oikonomia (dai o conceito "economia"). Critica a politica de Platao. Defende uma classificacao de tres formas de estado puras, com suas respectivas deturpacoes:
Realeza - Tirania
Aristocracia - Oligarquia
Politia - Democracia
Interessante o fato que o conceito "democracia" aparece como forma deturpada! Hoje se diria, a forma pura é a democracia e a anarquia seria a deturpacao.
Base da constituicao deve ser a justica. Deve-se, porem, diferenciar entre a melhor constituicao possivel e a melhor concretamente realizavel em cada caso especifico. O principio basico e o de fortalecer a classe media. Ja Aristoteles diferencia os poderes: legislativo, executivo e judiciario, o que é defendido mais tarde por Montesquieu (frances nascido em 1689 em Bordeaux e falecido em 1755 Paris). Alem disso, Aristoteles descreve o estado ideal, no qual a felicidade dos cidadaos e maximalizada.
Dr. Phil. Guido Imaguire - Universidade de Munique

 

Questão:
Explique a ética e moral cartesiana. Qual a origem da nossa ignorância? Elisangela Máximo Melchor

Resposta:

Descartes e a Ignorância 

Assim, a questão sobre a possibilidade e origem do erro de conhecimento é central para toda filosofia de Descartes. É importante lembrar, em primeira linha, que todo sistema Cartesiano foi desenvolvido como um procura por um fundamento sólido para o conhecimento humano. 

Ao longo da tradição teológica e metafísica ocidental distinguiram-se três formas de mal:
(1) malum physicum - o sofrimento, dor e tristeza.
(2) malum morale - o pecado, a imoralidade.
(3) malum metaphysicum - a finitude humana, tanto temporal (mortalidade) quanto cognitiva (ignorância). 

Na verdade, esta terceira forma de mal deveria ser mais diferenciada: além do malum metaphysicum existe o que se poderia chamar de malum epistemicum, exatamente o problema da ignorância, do não saber, o do falso conhecimento. Por isso poderia se considerar o problema da ignorância como a versão cartesiana da teodicéia. Especialmente porque no caso de Descartes se coloca a questão: se Deus é bom e nos criou, por que então Ele não nos equipou de tal maneira que nunca nos enganemos? Ele poderia ter nos criado como seres cognitivamente perfeitos. 

Mas então, voltando à questão, por que erramos? Segundo Descartes o erro cognitivo surge como resultado da liberdade humana. Deus não é culpado do nosso erro. Ele, com razão, achou que um ser livre é mais perfeito que um ser „sem a liberdade de errar“. Justamente nesta liberdade reside nossa semelhança com Deus. O ser humano é capaz („é livre para“) de não apenas julgar sobre o que ele pode reconhecer com certeza, mas ele pode também aceitar como válido um conhecimento não assegurado. E quando ele faz isso pode cair (e de fato muitas vezes cai) em erro. Justamente este „descuido“ é a origem do erro. Mas Descartes vai mais longe: a partir deste conhecimento ele desenvolve o seu famoso método da certeza: só aceitar como verdadeira uma afirmação sobre a qual se tenha absoluta certeza (m um conhecimento claro e distinto, em sua terminologia: idea clata et distincta). O primeiro conhecimento desta forma é o famoso: cogito ergo sum, penso logo existo. Sobre a própria existência (em primeira linha como um ser pensante – res cogitans – e não como ser físico extenso – res extensa) não se pode duvidar consistemente. Uma vez que o ser humano aceita e se mantém fiel a esta regra, ele é capaz de construir uma ciência isenta de erros (por isso muitos consideram Descartes um otimista, um megalomaníaco ou um fetischista da certeza).  

Moral:  

Para a moral vale quase o mesmo. Descartes não desenvolve nenhum grande sistema ético ou moral. Em Discours de la methode, na terceira parte, Descartes desenvolve a chamada moral provisória (ele nunca escreveu uma moral definitiva depois!), com 3 máximas (resumidamente): (1) obedecer as leis e costumes do país de sua origem, permanecendo fiel a religião na qual se foi criado, (2) quando se decidir por uma ação fazê-la de forma consequente até as últimas consequências (para evitar desvaneios), (3) procurar aceitar o destino: é mais fácil mudar os meus desejos do que mudar o mundo. (Veja 3 parte do citado livro, é fácil de ler!) 

No mais vale paralelamente: Se o ser humano se mantém fiel ao princípio da certeza, só agindo quando tiver certeza que sua ação é moralmente boa, ele pode estar certo que será um ser ético.  

Literatura: As Meditações de Descartes, os Princípios da Filosofia e o Discurso sobre o Método

Espero tê-la ajudado um pouco. Boa sorte na sua pesquisa!
Dr. Phil. Guido Imaguire (5.5.2000 - München)    

 

Questão:
Qual a diferença entre moral e ética?
Dados enviados através de formulário Remetente: (lanepontes@yahoo.com.br), Quarta Feira, 3 de Maio de 2000 as 13:05:55
inst: UNIPLI
nome: Lane Pontes

Resposta:

Excelente e complexa a pergunta.

Em primeiro lugar, observe-se a origem das palavras. „Ética“ vem do grego „ethos“, e significa hábito. „Moral“ vem do latim „mores“ e significa „hábito, costumes“. Ou seja, do ponto de vista puramente filológico não haveria motivo para se distinguir as duas expressões (a não ser, é claro, que se faça estudos filológicos muito precisos e se estude a diferença entre o significado de „ethos“ para gregos e „morus“ para os latinos).

Fato é que mesmo no mundo filosófico existe um certo caos terminológico neste respeito. Especialmente na tradição teológica: o que os protestantes chamam de ética, os católicos chamam de moral.Em geral, procura-se seguir a seguinte distinção: enquanto a moral é uma ciência descritiva (descreve como os seres humanos de uma determinada cultura de fato agem) a ética é normativa (ele determina como eles deveriam agir). Dando um exemplo: sair nu pela Avenida Paulista seria imoral (em geral não se faz isso), mas não anti-ético (afinal, não se está fazendo mal a ninguém!). Mas observe: nem todos os filósofos fazem tal distinção: o grande Kant, por exemplo, tende a usar „moral“ no sentido que aqui explico como „ética“! Portanto: sempre observe de quem se está a falar.

Além disso, as coisas não são tão fáceis como na distinção proposta: o que em geral não se faz numa sociedade pode ser prejudicial e assim talvez automaticamente anti-ético (a nudez na Avenida Paulista poderia estar pervertendo adoslecentes, levando-os para um „mau caminho“, por exemplo, e isto já seria anti-ético). Além disso chama-se ética, em geral, diferindo novamente da moral, a ciência que trata apenas do conhecimento natural (não aquele revelado por Deus na Bíblia) sobre o Bem e o Mal. Ou seja, um ateu deveria por si só, sem crer na Bílbia, saber o que é Bem e o que é Mal. A ética se basearia portanto apenas na capacidade individual e natural da razão.

Espero tê-lo ajudado um pouco. Boa sorte na sua pesquisa!

Dr. Phil. Guido Imaguire (5.5.2000 - München) 

 

Remetente: (IMPROEL @ GOLD.COM.BR ), Sabado, 27 de Maio de 2000 as 22:30:51
OBSERVACOES: QUAL A RELACAO ENTRE ETICA E MORAL QUAL A DIFERENCA ESTABELECIDA POR ARISTOTELES ENTRE PRATICA E TEORIA , A ETICA SE OCUPA COM A PRIMEIRA OU A SEGUNDA, PORQUE ? QUAIS OS PRICIPIOS DA ETICA DOS ANTIGOS. PORQUE A TAREFA PRIMEIRA DA ETICA ERA A FORMAÇÀO DO CARATER ?
Instituicao: INSTITUTO JOAO ALFREDO DE ANDRADE
Nome: GERALDO ANTONIO PEREIRA
Titulo: ESTUDANTE

Diferença entre ética e moral: veja texto já publicado neste site. Teoria: se ocupa com lógica e metafísica. Prática: trata do comportamento correto. Como a ética tem a ver com o bom comportamento, é evidente que a ética se ocupa com a prática. Isto é trivial. Mas cuidado: este é um erro muito difundido. O conceito "filosofia prática" é suspeito, porque, na verdade, a ética também é uma teoria. Sobre ética se escreve, se argumenta, se discute. Prática mesmo começa na rua, depois de se fechar o livro de filosofia. Os princípios da ética de Aristóteles se encontram em sua Ética a Nicômaco: sobre este conteúdo veja texto sobre Aristóteles neste site.